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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Chegando na locadora (ou nos downloads ou no camelô): Apenas o fim.


Em um ano em que o cinema nacional faturou devido ao sucesso de versões brasileiras dos velhos enlatados onde duas pessoas trocam de corpo e casais vivem a noite mais maluca de suas vidas, tudo isso com o peso de atores e diretores conhecidos, é incrível como um dos filmes mais notáveis do ano seja um projeto dos alunos de cinema na PUC – Rio em associação com o Departamento de Comunicação Social da Faculdade, tem a base apenas no roteiro cheio de diálogos inspiradíssimos e traz dois jovens desconhecidos (Ok! Erika Mader é sobrinha de Malu Mader e fez ponta em novela da globo, mesmo assim tem a possibilidade de você não conhecê-la). Estou falando de “Apenas o Fim”.

É apenas mais um dia na faculdade pra Antônio (o espontâneo Gregório Duvivier), até que sua namorada (Erika Mader, muito parecida com a tia) vem com a notícia de que está indo embora. Assim na bucha. Não vai lhe dizer pra onde vai, assim ele “não vai atrás dela”, não está informando pra ninguém, apenas vai... Então sem contrariá-la ele decide passar a última hora que tem ao lado dela debatendo sobre seu relacionamento.

Ao longo dos 80 minutos observamos esta conversa no campus da PUC e no quarto dos dois em pequenos flashback's, sim, 80 minutos apenas de diálogos e conversas e o mais inacreditável é: O filme prende sua atenção do início ao fim já que, os diálogos concebidos por Matheus Souza (estreando tbm na direção) são muito divertidos e mexem com a cultura pop brasileira de forma genial e hilária. Qualquer jovem, de qualquer estilo pode se identificar com as inteligentes piadas que têm como tema desde a sexualidade da vovó Mafalda, passando por Tranformers x Jean Luc Godard, o TCC de Niemeyer, até Cavaleiros do Zodíaco e canções tristes de Adriana Calcanhoto.

Duvivier por sinal é o grando trunfo do filme, o rapaz é um tipo de versão brasileira de Woody Allen + Personagem de The Big Bang Theory + aquele amigo que todo mundo tem, carismático, ele faz de Antônio um rapaz divertido, cheio de trejeitos, com uma composição acertada no vestuário e gestual e com um tipo de fala muito peculiar, as piadas saem de sua boca de forma natural, e nunca forçada, como se o jovem estivesse familiarizado com todas as peças que monstam o dia a dia do personagem. Erika Mader segura bem sua personagem, tem um timbre de voz agradável e se mostra irresistível ao passar do tempo, como a namorada que Antônio ou qualquer um de nós não gostaria de perder.

A direção de Matheus é amadora (como poderia não ser), mas ele mostra muito talento com os poucos recursos dados, não tentando fazer firulas pra embelezar o trabalho o que cria um clima intimista e natural, e pra escapar das mesmas cenas de conversa ele cria planos bem interessantes (como o dialogo sobre o meteoro na frente de um fundo colorido e a bela cena em slow motion com a banda no momento em que a namorada some da vista de Antônio).

No final das contas “Apenas o Fim” é uma grande surpresa do nosso cinema, um pequeno filme que deve ser assistido, comentado e divulgado.

Nota:9



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